sábado, 9 de janeiro de 2010

Frase do Dia

"É melhor passar-se por idiota do que comprovar que é um imbecil."
[Stephanie Vilarinho]
Uma das minhas promessas de ano novo foi tentar consertar/arrumar tudo o que estava desarrumado. É, eu sei, é muita pretenção a minha achar que poderia mudar a minha vida em um dia, mas tenho batalhado em busca desse meu 'ideal'.
Pedi desculpas há algumas pessoas com quem não tive uma atitude bacana;
Me despi da armadura e fui franca com o motivo dos meus suspiros;
Me livrei de todas as recordações que não me faziam bem - tá, de quase todas;
E... me sinto mais leve. Mais livre. Aos poucos estou recuperando aquela plenitude que eu acreditava possuir - sem saber que a nunca a possuí.
Todas as minhas imperfeições continuam presentes - ainda sou chata, impulsiva, carente, perfeccionista e ciumenta -, mas, finalmente, descobri que não posso lutar para mudar o que eu sou. Não parecerei mais forte se esconder o que sinto e não deixarei de ser meiga se disser 'não' algumas vezes.
A nossa essência não muda. Por mais que a gente tente, quem nasceu para princesa nunca chega a bruxa malvada - embora, às vezes, a gente até tenha o uso perfeito para aquela maça envenenada...
O que importa é que o cor de rosa tem voltado a aparecer. Agora não mais como aquele pink chocante, mas como um rosa bebê, de quem já amadureceu um pouco... mas não conseguiu esquecer seus sonhos de menina.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Drama Queen

Quarta feira, dia 06 de Janeiro.

Eu, no meio de um vaziiio existencial profundo, resolvo que mereço fazer meu dia de princesa, visto que pessoas me paparicando sempre melhoram meu mau-humor.

"Sou cliente preferencial do Coisas... nem vou ligar falando que tô indo!"

E... CARA NA PORTA! Elas estão de recesso!

"Ahh, tudo bem, vai. Não é mais a minha primeira opção, mas vamos ao Menina Flor"

E... CARA NA PORTA! Elas estão de recesso!

Geeente... todos os salões de São Paulo abertos e os únicos nos quais tenho uma fiel escudeira estão fechados. Porque é mesmo bacana eu ficar com essas unhas de mendiga que fez a unha há dez anos atrás e nunca mais viu uma manicure ou peluda como uma macaca.
É bem legal mesmo!
Mais legal ainda é eles não terem enviado aquele emailzinho bacana de fim de ano me dando uma massagem de aniversário e avisando o período em que estariam fechados. Porque é bem fácil ir a um salão novo, entregar as minhas mãozinhas de fada nas mãos de qualquer maluca com um alicate que pode decepar os meus dedinhos ou depilar-me com uma estranha, né?

"Oi, eu sou a Patrícia e essa é a minha virilha! Quero completa, tá?"

É preciso ter vinculo! É preciso aquele flerte gostoso entre você e sua depiladora. Na primeira vez você faz a perna... na seguinte, a perna e o buço... e quando você já percebeu que:
i) ela tem um jeitinho bacana de puxar a cera que não faz doer muito;
ii) ela não é uma doida que joga a cera fervendo em você em busca de uma queimadura de terceiro grau;
iii) ela não tem tendências homossexuais e não te olha com um olhar de desejo;
que você abre as perninhas - literalmente - para ela. Que mundo é eeesse onde todo mundo resolve fazer recesso de uuuma semaaana em Janeiro?
Quando eu aprendi as estações do ano, aprendi que no hemisfério sul o Verão é de Dezembro a Março e que, durante esse período, ter uma tonalidade acima na minha albinidade normal é bacana. Logo, o movimento nos salões aumentam. Logo, eles não deveriam fazer recesso de uma semana em pleno Janeiro!

Tudo bem.

A sorte delas é que eu não conheci o Malvino Salvador essa semana e que não namoramos, casamos e tivemos filhos. Porque, DAÍ SIIIM, elas veriam a fúria de uma mulher carente... e peluda.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Teoria do Biscoito, por Martha Medeiros

Uma vez minha vó me disse que homem é igual a biscoito: vem um, vêm 18. Eu devia ter uns 15 anos e achei graça. Mas só hoje, 14 anos depois, do alto da minha solteirice, eu compreendi tudo sobre essa teoria. E vi que vovó tinha razão.

Funciona assim: quando a gente tá carente, sozinha, solteira, e sai ligando pra todos os paqueras, ex-namorados, rolos e afins, ninguém te quer, não é? Pois é.

Essa é a primeira fase: tocos em profusão.

Na segunda fase, a gente resolve que não precisa de homem nenhum pra ficar bem, e aí aparece um só pra contradizer nossa certeza de auto-suficiência. Vem todo carinhoso, romântico, paparicante... A gente baixa a guarda, começa a sair com o cara, percebe que ele é interessante, resolve ver no que dá. Vai saindo, conhecendo, ficando... E aí o que acontece?

Entra na fase 3: a Teoria do Biscoito.
Chega um momento em que tu sente que a historinha tá evoluindo pra um possível compromisso, que está gostando daquele carinha, mesmo que ele não seja o príncipe encantado que sempre habitou seu imaginário de mulherzinha. Só que aí, neste exato momento, TODOS os outros que te dispensaram antes começam a te ligar. Parece que eles farejam no ar, que combinam entre si. Acho que a gente deve exalar algum cheiro diferente que, interpretado pelo cérebro masculino, diz "eu encontrei alguém, não estou disponível". Imediatamente, você se torna o objeto de cobiça de todos eles. Talvez justamente por estar radiante, feliz e não-disponível.

Aí rola aquela seqüência inacreditável de acontecimentos fantásticos. Você tá na vernissage com seu novo pretendente e aquele gatinho que você beijou a dois meses e nunca mais deu notícias começa a te ligar. Você vai pra boate sozinha (no dia que seu gatinho resolve ficar em casa descansando) e encontra aquele clone do Rodrigo Santoro, que namorava sua colega de serviço na década passada, e ele te olha, te acha linda e quer ficar com você. E aquele outro, que era seu sonho de consumo como namorado perfeito, partidão, mas que sempre te esnobou, começa a te ligar quase diariamente: chama pro cinema, chama pro showzinho, liga para perguntar o que tu tá fazendo, pra te falar do disco novo que comprou, liga só pra ouvir a tua voz... Tem gente que acha isso o paraíso. Mas na boa, eu acho que só serve pra atrapalhar. Porque, como mulherzinha do bem que sou, eu só quero essa penca de homens me ligando quando tô na guerra, que é pra poder escolher. Mas depois que eu resolvo sossegar com um, não quero que ninguém fique me ligando pra semear a discórdia e a dúvida na minha mente. Mas o babado é resistir às tentações.

De repente, com tantos homens fantásticos te ligando, tu começa a olhar pro seu pretendente atual e a achar que ele não é tão bonito quanto o fulano, nem tão alto e gostoso como o beltrano, nem carinhoso e bem-humorado como o cicrano. Você questiona se não está com ele por pura carência, porque ele apareceu num momento de falta de opções no mercado. E essa é a grande cilada. Muitas não resistem. Dispensam o gatinho atual e tentam administrar todos os outros. Eu já fiz isso. Aí a Teoria do Biscoito entra na fase final: a de que quem come o pacote inteiro tem indigestão. Fica sem ninguém. Todos somem e você fica sozinha, se perguntando como foi que deixou escapar aquele carinha tão legal com quem estava saindo, só por capricho.

Eu não sei se funciona assim para todas as pessoas. Mas eu decidi que agora vou dizer um sonoro "não, obrigada" para toda a fila de Negrescos com super-cobertura, e ficar sim com aquele que não é Negresco, mas é Bono de chocolate. Que não é Brastemp super-ultra-mega-estrelinha-plus, mas é Consul-slim e se encaixa direitinho na minha casa. Que não é o príncipe encantado, lindo, maravilhoso, perfeito, em cima do cavalo branco, mas que é um cara real, de carne e osso, que está do meu lado e quer ficar comigo. Quem me diverte e me agrada, e gosta das mesmas músicas que eu, e gosta de dançar música trash dos anos 80, que me apresenta pros amigos sem nenhuma cerimônia, que fica bolando pequenas surpresas pra me fazer e que é, sim, muito lindinho à sua maneira. Simples assim. Se não der certo, não deu. Faz parte da vida. Mas eu não preciso comer o pacote inteiro de Negresco pra saber que um Bono de chocolate me satisfaz.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Como Desarmar uma Pessoa pela Manhã

08:20 e o celular toca. Mensagem.

Meio dormindo, abro os olhos somente o suficiente para ver de quem é. Número ovni.

"Bom dia."

Quem é esse SER que me acorda com uma mensagem de "bom dia"? Juro que se for aquele maluco eu vou mandá-lo tomar no cu. Só pode ser dele. Só ele é brasileiro e não desiste nunca. …mas bem que podia ser do… DEIXA DE SER BOBA, PATRÍCIA!

- Alô?

- Não queria te acordar.

E reconheço a voz. E aquele sorriso gostoso aparece, mesmo que eu não queria. Até para uma conversa fria e impessoal, era a melhor voz que eu poderia escutar pela manhã.

[Pode ser boba, Patrícia. Mas bem pouquinho. Só o suficiente para você imaginar ele aqui do seu lado e pegar no sono de novo… afinal, pode ser que tudo tenha sido um sonho.]

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

…

Esse ano eu tô sem paciência para sorrisos falsos, abraços superficiais e "Feliz Natal" vazios. Não vou cantar "Noite Feliz" e "Jingle Bell" na secretária de ninguém, do mesmo modo que só retribuirei as estimas de Feliz Natal e bom 2010 daqueles que realmente quero que tenham isso.

Aos outros, eu só peço o que gostaria de ter todos os dias: sinceridade, em tudo. Na amizade, na ligação, no sorriso, em qualquer relação.

Que ganhem muitos presentes e que o dom de perdoar e esquecer o mal que lhe fazem seja um deles.

Que ganhem muitos beijos e abraços de crianças e que aprendam com elas a não esquecerem aquela inocência gostosa de achar que tudo vai dar certo e ver as coisas como são. Porque, às vezes, é só isso: sem complicação, sem subliminaridade, sem segunda intenção. É o que é, e só.

Que tenham alguém especial de quem lembrar, mesmo que essa pessoa não esteja pensando em você.

Que o "SIM" seja dito muitas vezes, que oportunidades sejam aceitas e que o medo de tentar desapareça!

Que tenham forças e coragem para agradecer qualquer ombro amigo que apareça e que agradeçam todos os dias por mais um dia. Porque não importa se você riu ou chorou, o importante mesmo é o que aprendeu – já que tudo é experiência, temos que tirar o melhor possível delas.

Que "desculpa" e "obrigada" sejam palavras recorrentes nos seus vocabulários e que não sejam ditas com medo ou com vergonha. Que o orgulho só seja utilizado quando for realmente necessário, nunca para impedir o uso dessas duas palavrinhas aí de cima.

Espero que 2010 seja sereno, para que possamos colocar em prática todos esses presentes de Natal e que aproveitemos cada minuto, intensamente.

Feliz Natal, de coração.

E que 2010 seja o melhor ano de suas vidas!

…porque, da minha, será.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Presentes

E nessa época do ano surge aquela dúvida: a quem presentear e o que dar de Natal? Não, não falo daquelas pessoas recorrentes e que invariavelmente estarão presentes na sua lista todos os anos, mas sim daquelas que entraram na sua vida "na última hora" e que tornaram-se relevantes – e nisso incluo novos amigos, aquela pessoa especial e mesmo aquele professor sensacional que te dá orientações ótimas para o TCC ou pesquisa científica.

Apesar de ser bastante mão de vaca (capricorniana, folks), acredito que as pessoas especiais em minha vida mereçam coisas especiais também, por isso não acabo estipulando um valor de presente para cada um. Não importa o valor, o que tornará o presente especial é o significado que ele tem para quem o receberá.

Cada presente é único e devemos, sim, nos preocupar com os detalhes. Uma embalagem diferenciada, algo que o torne único – um autógrafo numa camisa do time 'x' se a pessoa é fanática, uns docinhos que tenham significado para vocês ou mesmo o seu perfume que a pessoa gosta no ursinho ou almofada com a qual a presenteará (NÃO em roupas, por favor!) – além, é claro, do essencial: o presente deve ser escolhido para a pessoa. Não há nada mais impessoal e tosco do que "vales": Vale-CD, Vale-Livro, Vale-Compras, Vale-Mãe… mesmo que você erre, ache algo que você acredta que a pessoa gostará. Se ela não gostar, ela troca! NADA de vales!

A menos que você seja bastante íntimo da pessoa, fuja de   lingeries e afins. Uma das situações mais "vergonha-alheia" pela qual passei envolveu isso: a maluca resolveu presentear a professora com uma camisola vermelha. A professora ficou visivelmente constrangida, da cor da camisola, e com aquele sorriso amarelo, dizendo que havia adorado. Ela com certeza poderia ter gostado muito, se não tivesse ganho de uma aluna. E isso é para vocês, meninos: lingerie só depois de uns belos meses saindo.

No caso de roupas, fujam de roupas muito coloridas e com cores muito fortes. Mesmo que a pessoa goste bastante de roupas coloridas, opte sempre pelo branco/preto. As chances de errar são bem menores.

SAPATOS, NÃO! Não. Não, não, não. De maneira NENHUMA. Há muito envolvido na escolha de um sapato, não somente o quão lindo ele é. Leva-se em consideração como ele calça, como fica no seu pé, o quanto ele é confortável e mesmo o número. Num modelo posso usar 38, no outro 37 ou mesmo um 39. Então, não arrisque. Querer brincar príncipe da Cinderela é legal, mas se você não conhece bem a pessoa… forget it.

Tenham em mente que quanto menos você conhece a pessoa, mais você pode se arriscar…

Então, mãos a obra! Ainda faltam três dias para o meu aniversário (vulgo Natal) e ainda dá tempo de achar aquele presente bacana para as surpresas de última hora!

domingo, 20 de dezembro de 2009

O que ela mais gostava não eram dos beijos, nem de como sua voz era macia e seu sorriso lindo. O que disparava seu coração era a maneira como ele a olhava e a tocava, como se mais nada existisse, fazendo-a se sentir a pessoa mais especial do mundo.

Ele a olhava como se quisesse decorar cada parte dela e a tocava como se quisesse tomar posse de cada pedaço para si. Seus olhos pareciam querer saber todos os seus pensamentos e segredos, e aprender a reconhecer todas as suas reações, enquanto as pontas dos dedos faziam novos caminhos e criavam novas delimitações por sua pele, deixando-a arrepiada.

"Olha pra mim."

E a imagem de seus olhos vinham a sua mente, junto a excitação e quase as mesmas reações que tivera na hora.

E entre a cena de um vulção em erupção e uma fuga num trailer, a realidade a trás de volta.

Tudo isso que ela havia se lembrado, tinha acontecido depois do filme. E, naquele dia, ele não estaria ao seu lado após o final. Ou mesmo antes.

Tudo, mais uma vez, não passariam de lembranças. Só eram mais momentos bons, e que não se repetiriam, para sua caixinha…

sábado, 19 de dezembro de 2009

'Olha, essa aqui é a fulaninha…'

Tenho a mania chata de tentar me proteger e proteger a todos de quem gosto, isso em qualquer aspecto da minha vida.

Se tenho duas turmas de amigos diferentes e sei que há pessoas que não se dão – ou por ciúme de mim (haha, a desejaaada) ou por incompatibilidade de pensamento – evito fazer com que estas fiquem juntas. Afinal, não é porque eu gosto que tenho que forçar a outros gostarem também.

O mesmo acontece no aspecto afetivo. Eu simplesmente não consigo apresentar a pessoa com a qual estou envolvida aos meus amigos ou meu irmão – não citarei meus pais, porque isso só quando eu estiver quase casando… hehe - a menos que realmente goste muito dele. Só consigo lembrar de uma situação onde isso tenha acontecido.

Por outro lado, se isso é um problema para mim, não costuma ser para meus paqueras. Um fez questão de chamar a família toda para me conhecer na primeira vez que saímos e já programava um churrasco no próximo final de semana para me apresentar aos amigos; o outro achava que deveria virar brother dos amigos dele e frequentar a república da qual ele não saia mesmo que ele estivesse ausente; já tive aquele que me apresentou o melhor amigo no nosso segundo encontro e que, se havía qualquer conflito, a situação era toda resolvida a três ou a quatro, quando o 'terceiro elemento' muito brother - dele - também tinha que se meter; e aquele que, além de me apresentar a roda de família & amigos, dava piti se eu não almoçasse com ele e a mãe dele a cada quinze dias, pelo menos, ou não levasse o primo dele toda vez que saía de balada – afinal, preciso de um segurança, né? E realmente não irei olhar para o lado se ele não for e o primo dele estiver ali, fazendo as honras…

É só para mim que isso parece muito estranho? Não me parece muito normal deixar que alguém que não fará parte da sua vida entrar naquilo que você tem de mais precioso - que é o papel que meu irmão e meus amigos ocupam na minha vida - para talvez criar um vínculo e depois tirar a pessoa desse meio.

Tenho uma amiga que faz questão de nos apresentar qualquer novo paquera que ela tenha. QUALQUER UM. Se na terça saímos para jantar e o 'x' vai, na sexta saímos de balada e quem aparece é o novo, o 'y'. Ao questionar cadê o 'x', ela geralmente responde que precisava da "nossa aprovação". Oi? Aprovação? Quem tá com o cara é você ou eu? Ele tem que ser bonito para mim ou para você? Ele tem que fazer quem feliz?

É ridículo. Tudo não passa de um desfile. Você "expõe" o novo "bem" para depois simplesmente achar outra pessoa. Isso é falta de sensibilidade tanto para quem você quer bem – se alguém substituí uma pessoa com tanta facilidade, também fico me sentindo 'substituível' – quanto para com a pessoa que foi inserida na roda – porque, desculpa, posso ser bastante simpática, mas não quero sequer pensar em conhecer seus amigos ou família antes de te conhecer bem e ter certeza que não enjoarei daqui um mês.

Então, por favor. Reflitam antes de qualquer apresentação! Não vá sair apresentando o/a paquera da semana só para posar de pegador. Isso dá nojo!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.

Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade."

[Pablo Neruda]