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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

- Por que você não me dá a sua mão?

(Porque eu tenho medo da entrega. Tenho medo de assumir para o mundo que eu o aceito, assim, como és, com todos os seus defeitos e perfeições que tanto me encantam. Porque uma vez que eu o assumir, não terei mais escolha: vou te dar além da minha palma, o meu coração. Quando me conduzires pela mão, estarei sendo levada, na verdade, pelo meu coração. Não serão necessárias palavras ou explicações – só precisarei de um gesto seu, que me fará ir contigo. Me fará ficar do seu lado. Me despertará a necessidade de te fazer feliz a qualquer custo. E apesar de eu viver nessa batalha constante para não me apaixonar por você, eu não estou pronta para isso.) 

- Tá muito cedo para andarmos de mãos dadas...

domingo, 26 de agosto de 2012

Querer e Poder

Cansei. De verdade.
Tô cansada de fazer o que eu posso, mas de mais ainda não fazer o que eu quero. Porque querer e poder são coisas completamente diferentes - e isso cada dia fica mais claro.

Eu queria não me envolver. Queria manter tudo na superficialidade. Mas quando a gente menos espera, está lá, respondendo a mensagem de "bom dia" do ser. Logo eu, que odeio mensagens de "bom dia". Dia bom não começa com mensagens. Ele começa ao lado da pessoa que se gosta, com um beijo meio boca, por causa do mal hálito matinal. Com sexozinho calmo, para dar a inspiração necessária para sair da cama. Ou para mudar de lado e tirar uma sonega sobre aquele ombro largo que tanto te atrai. 
O dia fica melhor quando, do nada, você recebe dele um link de uma crônica bacana. 
"Lê aí, é sensível como você.".
Não sou sensível. Sou sentimental. É diferente.
Tenho todos os sentimentos e gosto de usá-los. Ainda mais de direcioná-los para uma pessoa. Melhor ainda quando a pessoa me acompanha no sentimento... Porque sou afetada pelo externo e fico sensível.
É. Sou sensível. Fico sensível a você.
A marca de fogo que o seu dedo desenha na minha barriga e aos pecados que a sua barba faz nas minhas costas. Costas largas, justamente porque pede barba. Pede beijo. Pede você deitado sobre ela. Pede eu me contorcendo.
O dia também pode melhorar quando uma banda nova é descoberta. 
"Se você gosta de instrumental, ouve essa.".
O problema não é ouvir. O problema é ouvir e gostar. Lembrar de você cada vez que aquele acorde acontecer. Tocar a mesma música do seu lado dez vezes, só para fazê-la nossa. E na segunda feira, ouvi-la mais dez vezes - esperando o seu "bom dia", aquele mesmo que eu odeio.

Eu posso te pedir para parar. E vir com aquela conversinha mole de "estou-adorando-nosso-não-comprometimento". Mentira. Eu me sinto comprometida, de um jeito meio estranho. 
Me sinto comprometida com os seus "bons dias", que fazem o dia começar.
Me sinto comprometida com os domingos, que são nossos. E com você no meu colo, beijando a minha mão, enquanto te faço cafuné e vemos um programa idiota na tevê.
Me sinto comprometida com o seu perfume e com o nosso não-encaixe.
Me sinto comprometida com as nossas sacanagens. E com as marcas na pele, que são outras formas de dizer seu nome. São minhas tatuagens provisórias de você, que precisam ser renovadas constantemente.
Mas o que eu gosto mesmo é da minha liberdade ao seu lado. E, graças a ela, mesmo não querendo, eu me envolvi. E foi o que eu precisava: me envolver, para saber o que eu queria.
E o que eu quero é ficar perto de você.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

E naquele sábado a noite regado a Hepburn, o celular toca. Mensagem.

Mensagem dele.

Aquele cara por que um dia foi tudo. Por quem eu daria a ponta do dedo mindinho e todos os dentes da boca. Aquele que foi o mais intenso, mais louco, mais insano... o mais surreal.
Encaro o celular, não acreditando que todo esse tempo depois, ele resolveu me mandar uma mensagem.
Após uns segundos pedindo para a mensagem desaparecer do telefone, a curiosidade vence.

“Saudades”

Saudades do que, porra? Todo esse tempo depois você tem ‘saudades’? E por que raios eu tô aqui, com as mãos tremendo, só por causa de uma mensagem desse babaca?

“Que bom para você!”

O celular começa a tocar.
É ele.
Deixo tocar até cair na caixa postal. Sou forte, não sou?
Não.
Tão logo o celular começou a vibrar novamente, eu atendi.
“Oi...”
Frio na espinha. Tinha esquecido como a voz dele é macia.
E falamos. Falamos sobre a vida e suas as amenidades, sobre o trabalho, os planos para o futuro, sobre minha mudança, cafés, livros, teorias malucas...
“Eu sinto saudades do seu sorriso.”
É, eu também sinto saudades de quando sorria sem motivo do seu lado.

“Foi bom falar com você, meu amor.”
O coração para por alguns instantes.
Meu amor. Seu amor. Ser sua. Como já fui. Como sou?

“Foi bom, sim. A gente deveria fazer isso mais vezes...”

Beijo, outro, tchau, meu amor.
Até o nosso futuro juntos. De novo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Reencontro

Hoje eu encontrei com alguém de quem fugia há algum tempo. Não tinha forças para encará-la, mas o acaso fez com que nos encontrássemos.

Lá estava ela, irradiando luz própria, sem maquiagem, sem salto, sem vestido, sem disfarces, enquanto eu usava de todos esses artifícios para me sentir um pouco aceitável. Tentei fugir, no entanto, não consegui. Fiquei presa em seus olhos, que, cheios de certezas, me faziam ter vergonha de ser quem eu estava sendo. Parecia impossível ficar frente a frente com alguém tão oposta a mim, mas me forcei ao diálogo.

Conforme conversávamos, percebi que embora eu não a procurasse, não havíamos nos perdido completamente. Nós nos completávamos. Se ela tinha gana para encarar seus problemas de frente, em mim faltava coragem. Se ela sabia o que queria, eu não fazia ideia de como seria o amanhã. Se nela o riso era fácil, em mim o choro aflorava. Se nela o amor próprio derramava, em mim ele sequer existia. 

Embora eu não entendesse porque ela sorria tanto, aos poucos, fui seduzida pelos seus risos. Lembrei do tempo em que nossa felicidade era compartilhada e, durante uma de suas gargalhadas, eu quis de volta tudo aquilo que tinha. Eu entendi que não devia ficar longe dela mais um dia sequer. Entre lágrimas, pedi para ela não me deixar. Então, o espelho me encarou, e ela docemente disse que não me deixaria mais ser a sombra de quem eu verdadeiramente sou.

Eu andava perdida, mas hoje eu transbordei de amor. Hoje eu me reencontrei.

sábado, 21 de abril de 2012

Minha menina,

Quando vejo a mulher que você se tornou, me encho de orgulho. Te vejo forte, determinada, ambiciosa, cheia de sonhos e com aquele brilho nos olhos de quem tem planos perfeitos para fazê-los virarem realidade. Você parece uma guerreira com seus olhares certeiros, respostas inteligentes e uma armadura belamente lapidada. Parece pronta para enfrentar o mundo.
Acontece que quando chega a noite, eu percebo que ainda você não cresceu. Ao vê-la abraçando sua centopeia na hora de dormir, te vejo com cinco anos. Vejo que o tempo pode ter passado e que você pode ter amadurecido perante o mundo, mas ainda é aquela pequena que tem medo de raios e trovões e que reza toda noite pedindo pelo seu príncipe nem tão encantado.
Eu entendo que você esteja passando por um momento de transição e que já não aceita mais as limitações que eu lhe imponho, mas tudo isso é para o seu bem. Não quero que você se machuque. Não desejo ver suas lágrimas rolarem uma vez mais. Tudo o que eu mais desejo é a sua felicidade, mesmo que de vez em quando não pareça.
Por isso, princesa, não lute contra quem você é. Aceite-se. Não é porque o mundo diz que você não pode ser como é que você deva mudar. Ir contra o que acredita para tentar um novo resultado não será positivo e, acredite, não trará aquilo que você deseja. Só trará as tão conhecidas lágrimas, que você tanto deseja evitar.
Ouça: ser guiada pelo seu coração não é um problema. Ser fofa e carinhosa, também não. O problema é você se fantasiar daquilo que não é, fazendo coisas que não te apetecem, para tentar ser aceita, querida... amada. Toda resposta que você conseguirá dessa forma não te fará feliz, pelo simples fato de você não estar feliz agindo assim.
Então, liberte-se. Mude, mas mude aos poucos e ouça-me durante esse processo de mudança. Procure alterar suas atitudes, mas não sua essência, sempre tão verdadeira e bela neste quesito.

Você é preciosa, Patrícia. Lembre-se nisso.

Seu sempre,
Supergo

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Intensidade

(Em 04 de Fevereiro de 2009)

Dia 04 de Fevereiro sempre teve importância para mim. Agora tem mais. Porque além do aniversário da minha mãe, é o seu. O seu dia, amado.
[...]

Tudo ao meu alcance parece tão pouco se comparado ao que você merece! Essa minha pequenez me incomoda por não permitir que eu te traga coisas palpáveis! Ela só me deixa te desejar aquilo que, acredito eu, nunca irá faltar... 

Que o Sol todas as manhãs ilumine o seu caminho e que seus raios, ao te tocarem, te façam sentir o quanto você é querido; 

Que a Lua minguante continue rindo e trazendo boas recordações a ti; 

Que a chuva caia sempre que você precisar sentir com a alma e quando eu estiver por perto, para que eu possa te encher de beijos!; 
Que as estrelas te guiem e te façam companhia sempre que se sentir sozinho; 

Que a grama massageie os seus pés e revigore as suas energias; 

Que você tenha garra para fazer todos os seus sonhos virarem realidade; 

Que seu coração esteja sempre cheio de coisas boas. De risos da Maria Clara, de lembranças e fatos inesquecíveis, de bons momentos e amor; 

Que sua luz continue imensa e a sua voz, doce e macia; 

Que seus olhos continuem trazendo calma e serenidade a quem precisa e desejos a mim; 

Que você encante e seja encantado. E que encontre pessoas que mudem a sua vida só por fazerem parte dela... e que você possa chamá-los de amigos; 

Que você dê muitas gargalhadas com a alma e que de vez em quando ria até chorar; 

Que as lágrimas apareçam de vez em quando, mas só para que você possa saber que existem pessoas que te querem bem. E que estas, ao te verem triste, possam fazer tudo ficar brilhante e colorido novamente, segurando a sua mão e te guiando pelo escuro enquanto você não vê - e que eu seja uma dessas pessoas;

Que se apaixone todos os dias pela vida; 

Que você descubra algo novo todos os dias e que todas as noites, quando deitar, tenha a certeza de que o dia valeu a pena; 

Que você tenha toda a felicidade do mundo e um dia ou outro (bem poucos) meio nublados, para que você possa dar valor a essa felicidade; 

Que você ame. E que amando, também seja amado, em igual ou maior proporção; 

E, finalmente, que o meu sorriso possa ser reflexo do seu.
Que eu possa sentir seu abraço me acolhendo e seus beijos me fazendo mulher.
Que eu tenha o seu toque sobre a minha pele e suas mãos em mim.
Que eu possa sentir seu gosto, sua pele e seu cheiro... e que possa decorá-los, para tê-los incrustados a mim. Que sua voz continue sendo a melhor melodia que eu escuto.
Que eu possa dormir e acordar com a sua imagem em minha mente quando você não estiver presente, mas, que na sua presença, eu possa acordar em seus braços e ficar te admirando enquanto, dormindo, você se mantem anjo.
Que você continue tendo presença constante nos meus sonhos.
Que eu te roube muitos sorrisos, sussuros e gemidos, e que consiga te deixar sem fala por bons motivos.
Que meu perfume fique preso a sua roupa e minhas mordidas em seu corpo.
Que você continue me ensinando e me fazendo perder a vergonha de demonstrações públicas de afeto.
Que você me proteja dos trovões.
Que você se vicie em mim e que sinta sempre a minha falta.
Que eu possa ter o privilégio te passar muitos dias e muitos momentos ao seu lado.
Que eu possa te conhecer e te desvendar por inteiro, saber do seu passado, do seu presente e fazer parte do seu futuro. E que você continue aqui, dentro de mim, me fazendo perdida na sua ausência e preenchendo meu coração... já tão seu. 
Porque você, querendo ou não, tomou posse dele. E por ele ser seu, por mais que tente, não consigo me afastar. Seu domínio sobre ele faz cada minuto com você - ou mesmo falando com você - sejam os momentos mais deliciosos e esperados dos meus dias. Cada letrinha que te mando - por mensagem, email, torpedo ou sinal de fumaça - é um pedacinho desse coração que só acha sentido em você. 

domingo, 1 de janeiro de 2012

23 + 1


E pela primeira vez em anos, ao analisar minha ex-idade, eu não senti nenhum grande arrependimento. A única coisa que senti intensamente foi gratidão.

Não, esse definitivamente não foi um ano fácil. Ele foi repleto de perdas e frustrações – tive desilusões amorosas, profissionais, familiares, em meu círculo de amizades... –, mas eu aprendi e cresci como há muito não fazia.
Parte dessa aprendizagem surgiu do autoconhecimento proporcionado por esses momentos adversos, mas grande parcela dela foi trazida por algo maior que eu. Em alguns momentos, quando pensei que não era mais capaz de seguir em frente, fui pega no colo por alguma força superior e fui consolada. Com a maior tranquilidade do mundo, essa força me ensinou novas maneiras de ver a vida e me deu significado para seguir em frente. Hoje, se eu caio, o tombo não machuca na mesma intensidade e sou amparada por mãos que vivem a me proteger. Chame essa força de Deus, energia cósmica, Krishna, Grande Mãe, Alá... eu prefiro não nomeá-la. Ela só é algo que me trouxe mais paz e que tem me feito imensamente bem

Essa mesma força me ensinou a confiar mais em mim, algo que o tempo havia me forçado a deixar para trás. Percebi que não devo fingir ser algo que não sou para conquistar alguma coisa. Eu sou mais emoção, não preciso fingir que sou razão; sou meiga, não preciso me fingir grossa para ser respeitada; eu me importo, não preciso aparentar que não para parecer mais forte. Essa encenação não trás os resultados esperados. Agindo assim, eu só posterguei um pouco mais a dor que viria a sentir ou mudei o final que poderia ter sido diferente.

Entretanto, o maior ensinamento de meus 23 anos foi que grandes expectativas geram grandes frustrações. E lágrimas, muitas delas. Mas elas também podem te ajudar a descobrir quem realmente está disposto a enfrentar o mundo ao seu lado, seja te dando apoio, um conselho ou um ombro amigo.

Agradeço, 23, por ter me tornado mais mulher e por ter tirado um pouco da minha inocência, mesmo que não tenha sido pelo caminho mais prazeroso. Desejo que aos 24 eu possa continuar aprendendo, mas de uma maneira mais... doce.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Finais não definidos

Ele me olhava enquanto me fazia cafuné.

- Você é linda.

Sorri. Não porque concordava, mas simplesmente porque não tinha o que responder.

- Você é linda, mesmo.
- É, um filósofo acabou de me dizer isso...

Me aconcheguei mais no seu colo, de forma que ele entendesse que o silêncio estava agradável.

- Você é muito apaixonável.
- Oi?
- É, apaixonável. É muito fácil as pessoas se apaixonarem por você.

Ele citou os motivos fofos e meigos pelos quais me considerava apaixonável. Quando acabou, sugeri que fossemos embora.

- Vamos fazer alguma coisa amanhã?
- Ah... pode ser.
- Eu te ligo umas seis, tudo bem?
- Não, Cá... eu te ligo, é melhor.

E eu não liguei. Não dei notícias, não atendi o celular ou respondi as mensagens. Estava claro para mim que estávamos em sintonias diferentes. Ele não era mais o cabeludo que eu conheci no meio da rua. Agora ele tinha nome, sobrenome, profissão e me enaltecia.
Enaltecimento que eu não estava pronta para corresponder.
Talvez ele tenha querido ser fofo, talvez ele tenha achado que eu gostaria de ouvir tais coisas... Não sei, não quis descobrir. Preferi a alternativa mais fácil: não vê-lo mais.

Agindo dessa forma, acabei me tornando aquela pessoa que nunca quis ser. Aquela pessoa que desencana e some. Sem notícias, sem esclarecimentos... nada. Simplesmente desapareci.
Embora tenha consciência do motivo pelo qual eu sumi, ele não sabe. Houve a inversão do papel que eu ocupava atualmente: o pequeno desencanou, sem explicação; agora, eu quem desencanava, e quem ficou sem explicação foi o cabeludo.

Confesso que quando me vi ocupando aquele espaço que não era meu, me senti mal. Logo eu, que tento ser tão sincera e jogar limpo com todos, não estava fazendo isso.
Em outro momento da minha vida, eu certamente me derreteria por tudo que ele me disse. Teria virado água, dado cambalhota e continuaria a vê-lo por valorizar o que ele havia me dito. Até tentaria me forçar a gostar dele. Pouco tempo depois, eu perceberia que não estava dando certo e começaria um "distanciamento progressivo", mas de maneira que pudesse contatá-lo no futuro caso estivesse com vontade de vê-lo (leia-se: carente).

Acontece que minha nova atitude me fez pensar. Eu fui sincera quando iludi ao outro porque gostava do que ele sentia por mim? Eu fui sincera quando desapareci sem dar notícias?
Em ambos os casos a resposta é negativa.
Se na primeira situação eu só pensei em mim e agi movida pela necessidade de afeto, na segunda eu novamente só pensei no meu bem estar e preferi não tentar entender o que aconteceu. Nos dois casos, alguém se magoou. Nos dois casos, alguém ficou sem explicação. E, nos dois casos, quem passou por tudo isso não foi eu.

Não é meu egocentrismo exacerbado que me incomoda. O que mexe comigo é o tamanho da minha hipocrisia em exigir sinceridade do outro quando eu não agi dessa maneira.
Como querer uma satisfação do pequeno pelo seu sumiço se eu não fiz isso para o cabeludo?
Embora eu tenha tido uma visão diferente da situação agindo assim, não é meu direito esperar uma resposta diferente do pequeno se me comportei igual a ele. Querendo ou não, é necessário que pensemos em nossas experiências de vida antes de fazer algo que pode prejudicar ao outro. Pena eu não ter descoberto isso antes de ter mordido o cabeludo e tê-lo mandado passear.

(Em tempo: algumas semanas depois, resolvi ligar para o cabeludo para me sentir melhor. Ele te atendeu? A mim, não.
É... acho que minha tentativa de reparação não deu muito certo...)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sinto-me presa àquela ilusão do “não ter sentido”. Mas, se não senti, porque tenho a impressão de que foi maravilhoso?

Não foi. Eu sei, você sabe, todos nós sabemos.

Se tivesse sido maravilhoso, não teria havido mentiras. Não teria havido lágrimas no final. E hoje, não haveria incomodo de nenhuma das partes. Seriamos apenas mais um casal que chegou ao fim e suas declarações seriam apenas mais uma demonstração de seu afeto, e não uma justificativa para convencer-me de um recomeço - um recomeço que, no nosso caso, sequer cogitei.

O nosso problema foi o excesso e a falta. Eu me sentia amada como há muito não sentia e não tive tempo para aprender a te amar.
Era confortável: era mimada fazendo o mínimo e você aceitava qualquer migalha como algo grande. Quando eu estava prestes a fugir, você me cobria de amor e eu ficava mais um dia, uma semana. Se eu decidia que não, você lutava pelo sim e se não o conseguia, aceitava que havia perdido. A vencedora era sempre eu... até eu descobrir que jogava sozinha contra uma dupla. E nessa circunstância, eu era a perdedora, já que você aceitava minhas provações para fazer-se feliz e defender a outra jogadora.

Todavia, foi encantador. Foi Caetaneamente encantador, com cores, nuances e uma pitada de escuridão. Pena que, no fim, o inverso se revelou: a realidade era a escuridão e as cores ocupavam somente os pequenos espaços.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Para evitar a dor, cheguei a conclusão de que deveria controlar tudo na minha vida.

Pensei que se tudo fosse estudado, planejado e planilhado, nada sairia do meu controle. Cheguei a esquecer que sou mais emoção do que razão e estava satisfeita vivendo dessa maneira, planejando até mesmo meus sentimentos.
Mas a vida, como sempre, fez questão de me mostrar que não adianta eu ter todos os planos certos e viver sem sentir verdadeiramente... e resolveu que deveria abalar todas as minhas estruturas colocando em meu caminho alguém mágico. Alguém com um sorriso capaz de iluminar qualquer ambiente, com uma energia maravilhosa, inteligente, lindo, com a voz que me gela a espinha e cabelos bagunçados que me fazem lembrar um leãozinho. 
Alguém que me faz querer sorrir só para que ele veja.

Confesso que desde que o conheci, a ambiguidade tomou conta de meu ser. Ao mesmo tempo em que anseio por conquistá-lo e me perder em seus braços, eu procuro afastá-lo. Se a coragem toma conta de mim e me estimula a fazer dar certo, o medo também se faz presente e não me deixa seguir, porque mesmo não querendo, ele me faz recordar as decepções pelas quais passei. Embora tenha sinais claros do caminho que devo percorrer, me aterroriza a ideia de perder a falsa estabilidade que consegui.
Tenho plena consciência de que meu sono e o sorriso só voltarão a ficar cheios quando me arriscar... mas me falta folego para parar de analisar, pular e me permitir sentir.
Enquanto isso não acontece, eu sonho, uma vez que em minhas felizes noites, eu já o tenho.

terça-feira, 3 de maio de 2011

( )

Aquele espaço que você deixou entre o meu travesseiro e a sua parede ainda existe. Como um relicário daquele amor que um dia foi perfeito, esse vazio permanece cheio de lembranças intocáveis, esperando alguém digno o suficiente para ocupá-lo.
Um alguém que parece não chegar. Parece que depois de você, todos os outros são figurantes em minha vida. Não passam de aprendizes que não valem a pena... 
O nosso amor era tão tolo, tão infantil, tão apegado a coisas bobas e, ao mesmo tempo, tão puro e tão certo, que cheguei ao ponto de procurar pessoas com os mesmos defeitos que os seus, talvez para não ter que amá-la, mas simplesmente transferir tudo o que senti por você. Faço as nossas brincadeiras esperando as mesmas respostas, mas não as consigo. Falta o principal: falta você. Falta você respondendo daquela maneira tonta, rindo e me chamando de palhaça, falta você me dando aqueles tapas na bunda enquanto me manda não falar besteira, faltam as tardes regadas a academia, faltam noites regadas a beijos, faltam aqueles apelidos idiotas que a gente se dava diariamente... Falta a metade principal daquilo que chamávamos de nós: você.
Queria entrar no seu peito e mudar tudo aquilo que você sente, para que você voltasse a sentir certo e me tomasse de volta em seus braços, como em todas aquelas fantasias de princesa que você me ajudou a construir.
Queria poder voltar no tempo, para não ter conhecido o perfeito e ter que me contentar com os errados.
Queria voltar a ser criança, antes de ter conhecido o meu primeiro amor... aquele que durante muito tempo eu quis que fosse o único e último.

domingo, 3 de abril de 2011

Sempre tive a falsa ilusão de que se tivesse controle de tudo, nunca me magoaria. Por já ter pensado na decisão certa e tomar a iniciativa, teoricamente, tudo seria mais fácil.
Teoricamente.
Mas sempre esqueço de que por mais que tenha trabalhado a minha decisão, quando tiro ela de meu imaginário, sou surpreendida pela cruel realidade de que não tenho controle de nada. Embora tente manipular a situação de todos os modos quando ela ainda é minha, imaginando todos os possíveis diálogos e as ações do outro, nada nunca acontece do jeito que eu esperava - na realidade, muitas vezes não chega nem perto - e, a dor que toma conta de mim nessa hora, é insuportável.


domingo, 6 de março de 2011

E se...

Eu queria de vez em quando ser forte como eu aparento ser. Forte, cheia de auto-estima, completa... Eu não sou nada disso e você sabe. Sabe tão bem! E, embora saiba, me aceita, me ama, me quer... aceitava, amava, queria. De vez em quando esqueço que todos os nossos verbos são conjugados no passado. Esse passado, agora tão distante, mas que ainda machuca, que ainda dói.

De vez em quando eu fico imaginando os "e se..." que poderiam ter acontecido entre a gente.

E se nada tivesse dado errado? 
E se a gente ainda estivesse junto?
E se eu não fosse tão frágil e você tão perfeito? 
E se eu não fosse tão maravilhosa e você tão bobo?
E se eu ainda fosse a sua amada?

É... nós nunca saberemos as respostas para tudo isso. E você não imagina o quanto, apesar de todo o tempo, eu gostaria de saber!

Você acreditava tanto em mim, tanto no meu potencial, que me fazia insegura. Muitas vezes acreditei que  não era boa o bastante para você. Não conseguia ver em mim tudo aquilo que você via... entretanto, eu acreditava tanto no que era dito que conseguia ir em frente e enfrentar todos os meus medos e inseguranças. Mas agora, sem seus olhos iluminando o meu caminho, eu tenho que me provar sozinha. Tenho que provar que sou forte como aparento ser, que confio no meu taco, que vou conseguir, que não tenho medos e que não preciso de amor... e você não imagina o quanto tudo isso é difícil, já que na maioria das vezes a única coisa que preciso é de você segurando o meu rosto e me dizendo que sabe que eu vou conseguir.
...e nessas horas que eu tanto te preciso e não te tenho, meu coração perde mais um pedaço... um dos tantos que você já tirou dele.

(Feriados sempre me lembram do nosso começo...)

sábado, 25 de dezembro de 2010

- E por que você corre?

Porque tenho medo do que me torno quando não corro. Tenho medo desse sedentarismo que me consome e desta fadiga que faz minha vida passar sem que eu veja. Tenho medo dos pensamentos depressivos que me perseguem e que só desaparecem quando eu estou correndo.

Eu corro.

Porque preciso da endorfina e de me superar. Preciso de metros a mais e de minutos a menos. Preciso daquela dor e daquele pensamento de "Eu não aguento mais!" para que eu mostre a mim mesma que consigo.

Eu corro.

Porque assim me sinto mais viva. Sinto meu coração batendo, o sangue pulsando, o suor correndo. Sei que estou me tornando o melhor naquilo que já sou: uma corredora.

Sigo correndo.

Porque quando minhas pernas já não querem mais se mexer e meus pés já não conseguem mais pisar, sinto a dor mais gratificante de todas: aquela dor que me mostra superei mais um desafio... e que, inconscientemente, me dá forças para vencer desafios ainda maiores.

domingo, 28 de novembro de 2010

E, com menos de um mês para meus 23 anos anos, aquela saudade de tudo que não vivi reaparece.
Todos os planos perfeitos guardados e sonhos não realizados começam a bater na minha porta.

Já quis ser jogadora de futebol, ser psicóloga clínica, abrir minha própria academia, ter um filho, escrever mil livros e ter vários best sellers... E, bem... o futebol foi deixado de lado por falta de talento, a Psicologia encontrou com o esporte e me despertou novos desejos, o livro nunca passou do segundo capítulo...

Às vezes, acho que essa incompletude que sinto deriva de todos esses sonhos não realizados. São tantos desejos não concretizados e tantos planos que não saíram do papel que, de vez em quando, me sinto perdida em minha própria vida e acabo buscando significado nos outros para aquilo que só diz respeito a mim.
Noutras vezes, porém, acredito que essa incompletude deriva justamente de tudo que fiz para, supostamente, realizar alguns poucos sonhos... tão poucos que se não tivessem sido realizados, talvez me conduzissem para uma vida que não vivi, numa realidade paralela qualquer.

Nessa época de aniversário, quando percebo que mais um ano passou e mais um tanto de desejos não foram realizados, começo a relembrar de todos os 'nãos' que foram ditos e que abriram novos caminhos; assim como em todos os 'sims' que eu poderia não ter falado e que poderiam ter me colocado em uma situação mais confortável, com menos dúvidas, menos porques, menos complicação.

Não, eu não realizei um décimo dos meus sonhos, mas eles continuam presentes - sejam sendo reformulados e dando espaço para outros, sejam permanecendo inalterados - eles continuam guiando meu coração para o caminho que, aparentemente, parece o mais adequado.
Porque além do físico e do emocional, eu sou os meus sonhos. E, por fazerem parte de todas as decisões que tomo, eles acabam me definindo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dia desses, nerdiando por aí, vi um daqueles gráficos que compara o cérebro feminino ao masculino. Uma das maiores partes do cérebro feminino era o que “fazia com que coisas que aconteceram há muito tempo fossem lembradas como se tivessem acontecido hoje”.

Isso me faz lembrar de começos... e o ruim dos começos é que eles sempre têm um fim.

Talvez por eu ser mimada demais, protegida demais, menina demais, eu não entenda quando algo não acaba do jeito que eu quero. Talvez até por acreditar nas minhas defesas, cada vez mais falhas, eu acredite que nada irá me abalar. Não de novo, não por um rompimento tolo. Mas abala.

Talvez por eu me entregar demais, me envolver demais, abala. Mas se me entreguei, foi por acreditar que havia achado o porto seguro com o qual todo navegante sonha. Porque enquanto navegantes, nós somos faltantes; mas, quando ancorados, a completude se revela. E uma vez que nós sentimos completos e voltamos a ser faltantes, não vemos outra saída senão buscar aquela sensação maravilhosa de novo. Se me envolvi tanto, é porque essa incompletude me incomoda e porque achei em você, finalmente, aquele porto em que poderia descansar o meu coração.

Depois de todo esse tempo, não posso dizer que estou bem. Ainda me arrependo de algumas coisas que me fiz para, em vão, tentar de atingir; ainda fico comovida quando dizem alguma coisa que me faz lembrar você; ainda evito os lugares em que estivemos para não me remoer com as lembranças; e eu, que nunca fui das católicas mais fervorosas, rezo todas as noites pedindo compreensão e paz de espírito.
Compreensão para que possa entender e fazer passar toda essa dor e paz de espírito para que não me sinta tão incompleta e consiga te esquecer.

"Eu quero amar alguém, sem delirar de novo."
(Cazuza)

domingo, 8 de agosto de 2010

Ah, Patrícia, querida,

eu acho uma graça quando você diz que eu devo sumir. Caso não tenha percebido, eu sou você. Sou sua melhor parte, aquela que você tenta esconder, mas que dá gosto a tudo.
Se fosse por mim, você não acordaria tão cedo fingindo o sorriso para pessoas que você não suporta.Você voltaria a beber, voltaria a usar o que quisesse e a quem quisesse.
Você precisa disso, Patinha. Precisa. Ou você acredita que engana alguém sendo essa menina insuportavelmente doce e quase perfeita?
Você sabe que não é assim.
Sabe que precisa de uns tóxicos para fugir da monotonia, sabe que precisa de sexo para se sentir satisfeita e sabe que precisa mandar tudo e todos para a casa do caralho de vez em quando. Essa sua abstinência não te leva a nada, só faz com que você se engane mais. Faz com que você finja estar satisfeita com coisas que não te satisfazem.
Você se sente realmente plena indo para a Augusta e não indo ao lado podre?
Você gosta de não frequentar os lugares de família que tanto te divertiam?
Vale a pena você não chegar em casa sem uma amnésia, lembrando dessa vida sem emoção que você tem levado?
Você sabe que não.
Deixe de ser essa menina fofa querida por tantos. Solte sua voz, grite, esperneie pelas suas injustiças, seja a vadia que você sabe ser e esqueça toda a boa criação que você teve.
Se não por um tempo, por uma noite.
Eu preciso sair desse quarto pequeno e escuro que você me colocou.
Me deixe sair para que você seja você.

ass.: Eu

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Se me pedissem para comparar o que sinto por ele com o que sinto por você, poderia dizer que por ele é calmaria enquanto por você é tempestade.
Se por você é tudo ou nada, com ele é meio termo. Um meio termo acolhedor, que faz planos para um futuro e que me tem como parte de sua rotina.
Comparo-os, sabendo que não o deveria fazer.
Enquanto ele, sem um passado amoroso recente, se jogou de cabeça, você segue com seus problemas insolúveis;
Ele, com sua vida estável e organizada e você, com milhares de trabalhos para esquecer da vida;
Um fã de esportes e um sedentário nato;
Um despojado e um nerd;
Um que gosta e um que é gostado.
Um namorado... e um amor de verão.

- Eu acho que ele gosta mais de mim do que eu dele.
- Bem vinda a um relacionamento normal.

sábado, 24 de abril de 2010

I got it...

Every time I look into your loving eyes
I see a love that money just can’t buy
One look from you
I drift away
I pray that you
Are here to stay

Anything you want
You got it
Anything you need
You got it
Anything at all
You got it
Baby

Every time I hold you
I begin to understand
Everything about you tells me I’m your man
I live my life
To be with you
No one can do
The things you do

Anything you want
Anything you need
Anything at all

I’m glad to give my love to you
I know you feel the way I do

Anything at all
You got it

~

Coisas tão bobas podem fazer um sábado a noite tão mais brilhantes, né...?

domingo, 11 de abril de 2010

Encontros e Desencontros

- Nunca te falaram que princesas não choram?
- Mas eu não tô chorando. As lágrimas que teimam em cair...
- E porque elas caem?
- Porque meus olhos não encontram aquilo que querem ver.
- O que eles buscam?
- Você é sempre chato assim?
- Você sempre chora quando vem em livrarias?
(e os olhos ficam cheio de lágrimas)
- Desculpa. Desculpa mesmo. Pensei que você uma daquelas meninas bonitinhas e meiguinhas que destroem corações de propósito quando me chamou de chato.
- Na verdade eu sou uma daquelas meninas meigas e idiotas que sempre acabam com o coração partido... (sorriso amarelo)
- Quer tomar um café?
- Não gosto de café.
- Pode ser um chocolate...
- Moço, não leva a mal... mas uma livraria não é o melhor lugar para se conhecer alguém.
- Podem ser a partir do momento que você encontra alguém que lhe interessa.
- Acredite em mim: não são... Preciso ir. Tchau.
- Você não vai nem me falar seu nome?
- Você não precisa saber meu nome e eu não preciso saber o seu. Lembre de mim como a garota da Cultura.
- E você, lembrará de mim como?
- Como o cara charmoso de óculos com quem eu com certeza flertaria em um outro momento da minha vida... tchau.