sábado, 19 de outubro de 2013

Mundo de cor

Primeiro você faz um risco. Depois, outro. Vai completando aos poucos até formar o desenho. Ao terminá-lo, você colore. Uma pitada de amarelo, um pouquinho de verde, uns espacinhos brancos para dar aquele tcham. É. Ficou pronto. E tudo começou só com um risquinho...
Talvez eu não seja boa nesse negócio de amar porque, quando eu pego o lápis, desejo logo que ele seja colorido. Sem essa de fazer um risco e seguir o passo-a-passo para poder pintar. Só o contorno não tem graça... Eu quero logo a intensidade para poder me jogar de cabeça. Quero cor.
Quero o rosa dos primeiros beijos. Porque se cora, é porque importa. Primeiros beijos que importam tem cor.
Quero o verde para não lembrar do que já foi e até para ter esperança de que vai ser pra sempre,de que vai durar cinco, dez, quinze... dias, meses ou anos?
Quero o azul que trás a paz interior. Aquele que vem acompanhado de tudo, menos do físico. Mãos dadas na praia, chocolate quente no meio da tarde e conchinha de madrugada.
Quero uma pitada do vermelho daquilo que é só físico. Daquele fogo que arde, cheio de labaredas altas... e que machucam, justamente por serem só isso.
Quero o branco dos amores à primeira vista, que se confirmam reais. Eles trazem a pureza e a paz que o coração procura.
Quero até um pouco do cinza das paixões que acabam quando deveriam começar. Que fazem o sentimento mudar como as chuvas de verão, de uma hora para outra.
Quero ter meu próprio arco-íris, brilhando cada vez mais fora de mim do que dentro de mim.
A única cor que não quero é o preto-luto dos términos. Em um mundo tão colorido, não consigo ficar estável na ausência de cor.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Enquanto isso, no R7...

Dica profissional:
 
Se você quer ser um BARTENDER, não faça um curso de BARISTA... A não ser que você trabalhe em uma balada alternativa que sirva lattes, cappuccinos e flat whites como drinks, não vai ajudar muito na sua área aprender a fazer café...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Lembrei do blog. Pois é. Um ano e uma vida depois.

Tava vendo as estatísticas, só por curiosidade, e, mesmo não postando, tem pessoas que entram aqui porque procuraram no Google:


Gente, sério. Me enche de orgulho saber que procuram por "fusca" e chegam aqui. Só fico tentando entender a conexão que a pessoa faz: 

"Hmmm... preciso trocar de carro. Quero um Fusca preto! Vou olhar no Google! Não achei nada que me interessasse nas 3129847832432 páginas, mas essa aqui, que chama Memória Vazia, vai ter o carro que eu quero!"

Enfim. Nesse último ano - que não postei - só ficou bem claro para mim que a galera tá cada dia mais doida. Como não quero decepcionar os potenciais futuros leitores, aqui vai a foto de um rinoceronte em um skate (não temos nenhum fusca disponível hoje, volte novamente em outra data):


Mas, me diz aí: o que você faria se um rinoceronte tivesse vindo em sua direção em um skate gigante? Eu certamente largaria tudo o que estivesse fazendo e partiria para o abraço!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

- Por que você não me dá a sua mão?

(Porque eu tenho medo da entrega. Tenho medo de assumir para o mundo que eu o aceito, assim, como és, com todos os seus defeitos e perfeições que tanto me encantam. Porque uma vez que eu o assumir, não terei mais escolha: vou te dar além da minha palma, o meu coração. Quando me conduzires pela mão, estarei sendo levada, na verdade, pelo meu coração. Não serão necessárias palavras ou explicações – só precisarei de um gesto seu, que me fará ir contigo. Me fará ficar do seu lado. Me despertará a necessidade de te fazer feliz a qualquer custo. E apesar de eu viver nessa batalha constante para não me apaixonar por você, eu não estou pronta para isso.) 

- Tá muito cedo para andarmos de mãos dadas...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Having a Coke with You, de Frank O’Hara


Having a Coke with You

is even more fun than going to San Sebastian, Irún, Hendaye, Biarritz, Bayonne
or being sick to my stomach on the Travesera de Gracia in Barcelona
partly because in your orange shirt you look like a better happier St. Sebastian
partly because of my love for you, partly because of your love for yoghurt
partly because of the fluorescent orange tulips around the birches
partly because of the secrecy our smiles take on before people and statuary
it is hard to believe when I’m with you that there can be anything as still
as solemn as unpleasantly definitive as statuary when right in front of it
in the warm New York 4 o’clock light we are drifting back and forth
between each other like a tree breathing through its spectacles

and the portrait show seems to have no faces in it at all, just paint
you suddenly wonder why in the world anyone ever did them

I look
at you and I would rather look at you than all the portraits in the world
except possibly for the Polish Rider occasionally and anyway it’s in the Frick
which thank heavens you haven’t gone to yet so we can go together the first time
and the fact that you move so beautifully more or less takes care of Futurism
just as at home I never think of the Nude Descending a Staircase or
at a rehearsal a single drawing of Leonardo or Michelangelo that used to wow me
and what good does all the research of the Impressionists do them
when they never got the right person to stand near the tree when the sun sank
or for that matter Marino Marini when he didn’t pick the rider as carefully
as the horse

it seems they were all cheated of some marvelous experience
which is not going to go wasted on me which is why I am telling you about it

domingo, 26 de agosto de 2012

Querer e Poder

Cansei. De verdade.
Tô cansada de fazer o que eu posso, mas de mais ainda não fazer o que eu quero. Porque querer e poder são coisas completamente diferentes - e isso cada dia fica mais claro.

Eu queria não me envolver. Queria manter tudo na superficialidade. Mas quando a gente menos espera, está lá, respondendo a mensagem de "bom dia" do ser. Logo eu, que odeio mensagens de "bom dia". Dia bom não começa com mensagens. Ele começa ao lado da pessoa que se gosta, com um beijo meio boca, por causa do mal hálito matinal. Com sexozinho calmo, para dar a inspiração necessária para sair da cama. Ou para mudar de lado e tirar uma sonega sobre aquele ombro largo que tanto te atrai. 
O dia fica melhor quando, do nada, você recebe dele um link de uma crônica bacana. 
"Lê aí, é sensível como você.".
Não sou sensível. Sou sentimental. É diferente.
Tenho todos os sentimentos e gosto de usá-los. Ainda mais de direcioná-los para uma pessoa. Melhor ainda quando a pessoa me acompanha no sentimento... Porque sou afetada pelo externo e fico sensível.
É. Sou sensível. Fico sensível a você.
A marca de fogo que o seu dedo desenha na minha barriga e aos pecados que a sua barba faz nas minhas costas. Costas largas, justamente porque pede barba. Pede beijo. Pede você deitado sobre ela. Pede eu me contorcendo.
O dia também pode melhorar quando uma banda nova é descoberta. 
"Se você gosta de instrumental, ouve essa.".
O problema não é ouvir. O problema é ouvir e gostar. Lembrar de você cada vez que aquele acorde acontecer. Tocar a mesma música do seu lado dez vezes, só para fazê-la nossa. E na segunda feira, ouvi-la mais dez vezes - esperando o seu "bom dia", aquele mesmo que eu odeio.

Eu posso te pedir para parar. E vir com aquela conversinha mole de "estou-adorando-nosso-não-comprometimento". Mentira. Eu me sinto comprometida, de um jeito meio estranho. 
Me sinto comprometida com os seus "bons dias", que fazem o dia começar.
Me sinto comprometida com os domingos, que são nossos. E com você no meu colo, beijando a minha mão, enquanto te faço cafuné e vemos um programa idiota na tevê.
Me sinto comprometida com o seu perfume e com o nosso não-encaixe.
Me sinto comprometida com as nossas sacanagens. E com as marcas na pele, que são outras formas de dizer seu nome. São minhas tatuagens provisórias de você, que precisam ser renovadas constantemente.
Mas o que eu gosto mesmo é da minha liberdade ao seu lado. E, graças a ela, mesmo não querendo, eu me envolvi. E foi o que eu precisava: me envolver, para saber o que eu queria.
E o que eu quero é ficar perto de você.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

E naquele sábado a noite regado a Hepburn, o celular toca. Mensagem.

Mensagem dele.

Aquele cara por que um dia foi tudo. Por quem eu daria a ponta do dedo mindinho e todos os dentes da boca. Aquele que foi o mais intenso, mais louco, mais insano... o mais surreal.
Encaro o celular, não acreditando que todo esse tempo depois, ele resolveu me mandar uma mensagem.
Após uns segundos pedindo para a mensagem desaparecer do telefone, a curiosidade vence.

“Saudades”

Saudades do que, porra? Todo esse tempo depois você tem ‘saudades’? E por que raios eu tô aqui, com as mãos tremendo, só por causa de uma mensagem desse babaca?

“Que bom para você!”

O celular começa a tocar.
É ele.
Deixo tocar até cair na caixa postal. Sou forte, não sou?
Não.
Tão logo o celular começou a vibrar novamente, eu atendi.
“Oi...”
Frio na espinha. Tinha esquecido como a voz dele é macia.
E falamos. Falamos sobre a vida e suas as amenidades, sobre o trabalho, os planos para o futuro, sobre minha mudança, cafés, livros, teorias malucas...
“Eu sinto saudades do seu sorriso.”
É, eu também sinto saudades de quando sorria sem motivo do seu lado.

“Foi bom falar com você, meu amor.”
O coração para por alguns instantes.
Meu amor. Seu amor. Ser sua. Como já fui. Como sou?

“Foi bom, sim. A gente deveria fazer isso mais vezes...”

Beijo, outro, tchau, meu amor.
Até o nosso futuro juntos. De novo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Reencontro

Hoje eu encontrei com alguém de quem fugia há algum tempo. Não tinha forças para encará-la, mas o acaso fez com que nos encontrássemos.

Lá estava ela, irradiando luz própria, sem maquiagem, sem salto, sem vestido, sem disfarces, enquanto eu usava de todos esses artifícios para me sentir um pouco aceitável. Tentei fugir, no entanto, não consegui. Fiquei presa em seus olhos, que, cheios de certezas, me faziam ter vergonha de ser quem eu estava sendo. Parecia impossível ficar frente a frente com alguém tão oposta a mim, mas me forcei ao diálogo.

Conforme conversávamos, percebi que embora eu não a procurasse, não havíamos nos perdido completamente. Nós nos completávamos. Se ela tinha gana para encarar seus problemas de frente, em mim faltava coragem. Se ela sabia o que queria, eu não fazia ideia de como seria o amanhã. Se nela o riso era fácil, em mim o choro aflorava. Se nela o amor próprio derramava, em mim ele sequer existia. 

Embora eu não entendesse porque ela sorria tanto, aos poucos, fui seduzida pelos seus risos. Lembrei do tempo em que nossa felicidade era compartilhada e, durante uma de suas gargalhadas, eu quis de volta tudo aquilo que tinha. Eu entendi que não devia ficar longe dela mais um dia sequer. Entre lágrimas, pedi para ela não me deixar. Então, o espelho me encarou, e ela docemente disse que não me deixaria mais ser a sombra de quem eu verdadeiramente sou.

Eu andava perdida, mas hoje eu transbordei de amor. Hoje eu me reencontrei.

sábado, 21 de abril de 2012

Minha menina,

Quando vejo a mulher que você se tornou, me encho de orgulho. Te vejo forte, determinada, ambiciosa, cheia de sonhos e com aquele brilho nos olhos de quem tem planos perfeitos para fazê-los virarem realidade. Você parece uma guerreira com seus olhares certeiros, respostas inteligentes e uma armadura belamente lapidada. Parece pronta para enfrentar o mundo.
Acontece que quando chega a noite, eu percebo que ainda você não cresceu. Ao vê-la abraçando sua centopeia na hora de dormir, te vejo com cinco anos. Vejo que o tempo pode ter passado e que você pode ter amadurecido perante o mundo, mas ainda é aquela pequena que tem medo de raios e trovões e que reza toda noite pedindo pelo seu príncipe nem tão encantado.
Eu entendo que você esteja passando por um momento de transição e que já não aceita mais as limitações que eu lhe imponho, mas tudo isso é para o seu bem. Não quero que você se machuque. Não desejo ver suas lágrimas rolarem uma vez mais. Tudo o que eu mais desejo é a sua felicidade, mesmo que de vez em quando não pareça.
Por isso, princesa, não lute contra quem você é. Aceite-se. Não é porque o mundo diz que você não pode ser como é que você deva mudar. Ir contra o que acredita para tentar um novo resultado não será positivo e, acredite, não trará aquilo que você deseja. Só trará as tão conhecidas lágrimas, que você tanto deseja evitar.
Ouça: ser guiada pelo seu coração não é um problema. Ser fofa e carinhosa, também não. O problema é você se fantasiar daquilo que não é, fazendo coisas que não te apetecem, para tentar ser aceita, querida... amada. Toda resposta que você conseguirá dessa forma não te fará feliz, pelo simples fato de você não estar feliz agindo assim.
Então, liberte-se. Mude, mas mude aos poucos e ouça-me durante esse processo de mudança. Procure alterar suas atitudes, mas não sua essência, sempre tão verdadeira e bela neste quesito.

Você é preciosa, Patrícia. Lembre-se nisso.

Seu sempre,
Supergo

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Intensidade

(Em 04 de Fevereiro de 2009)

Dia 04 de Fevereiro sempre teve importância para mim. Agora tem mais. Porque além do aniversário da minha mãe, é o seu. O seu dia, amado.
[...]

Tudo ao meu alcance parece tão pouco se comparado ao que você merece! Essa minha pequenez me incomoda por não permitir que eu te traga coisas palpáveis! Ela só me deixa te desejar aquilo que, acredito eu, nunca irá faltar... 

Que o Sol todas as manhãs ilumine o seu caminho e que seus raios, ao te tocarem, te façam sentir o quanto você é querido; 

Que a Lua minguante continue rindo e trazendo boas recordações a ti; 

Que a chuva caia sempre que você precisar sentir com a alma e quando eu estiver por perto, para que eu possa te encher de beijos!; 
Que as estrelas te guiem e te façam companhia sempre que se sentir sozinho; 

Que a grama massageie os seus pés e revigore as suas energias; 

Que você tenha garra para fazer todos os seus sonhos virarem realidade; 

Que seu coração esteja sempre cheio de coisas boas. De risos da Maria Clara, de lembranças e fatos inesquecíveis, de bons momentos e amor; 

Que sua luz continue imensa e a sua voz, doce e macia; 

Que seus olhos continuem trazendo calma e serenidade a quem precisa e desejos a mim; 

Que você encante e seja encantado. E que encontre pessoas que mudem a sua vida só por fazerem parte dela... e que você possa chamá-los de amigos; 

Que você dê muitas gargalhadas com a alma e que de vez em quando ria até chorar; 

Que as lágrimas apareçam de vez em quando, mas só para que você possa saber que existem pessoas que te querem bem. E que estas, ao te verem triste, possam fazer tudo ficar brilhante e colorido novamente, segurando a sua mão e te guiando pelo escuro enquanto você não vê - e que eu seja uma dessas pessoas;

Que se apaixone todos os dias pela vida; 

Que você descubra algo novo todos os dias e que todas as noites, quando deitar, tenha a certeza de que o dia valeu a pena; 

Que você tenha toda a felicidade do mundo e um dia ou outro (bem poucos) meio nublados, para que você possa dar valor a essa felicidade; 

Que você ame. E que amando, também seja amado, em igual ou maior proporção; 

E, finalmente, que o meu sorriso possa ser reflexo do seu.
Que eu possa sentir seu abraço me acolhendo e seus beijos me fazendo mulher.
Que eu tenha o seu toque sobre a minha pele e suas mãos em mim.
Que eu possa sentir seu gosto, sua pele e seu cheiro... e que possa decorá-los, para tê-los incrustados a mim. Que sua voz continue sendo a melhor melodia que eu escuto.
Que eu possa dormir e acordar com a sua imagem em minha mente quando você não estiver presente, mas, que na sua presença, eu possa acordar em seus braços e ficar te admirando enquanto, dormindo, você se mantem anjo.
Que você continue tendo presença constante nos meus sonhos.
Que eu te roube muitos sorrisos, sussuros e gemidos, e que consiga te deixar sem fala por bons motivos.
Que meu perfume fique preso a sua roupa e minhas mordidas em seu corpo.
Que você continue me ensinando e me fazendo perder a vergonha de demonstrações públicas de afeto.
Que você me proteja dos trovões.
Que você se vicie em mim e que sinta sempre a minha falta.
Que eu possa ter o privilégio te passar muitos dias e muitos momentos ao seu lado.
Que eu possa te conhecer e te desvendar por inteiro, saber do seu passado, do seu presente e fazer parte do seu futuro. E que você continue aqui, dentro de mim, me fazendo perdida na sua ausência e preenchendo meu coração... já tão seu. 
Porque você, querendo ou não, tomou posse dele. E por ele ser seu, por mais que tente, não consigo me afastar. Seu domínio sobre ele faz cada minuto com você - ou mesmo falando com você - sejam os momentos mais deliciosos e esperados dos meus dias. Cada letrinha que te mando - por mensagem, email, torpedo ou sinal de fumaça - é um pedacinho desse coração que só acha sentido em você. 

domingo, 1 de janeiro de 2012

23 + 1


E pela primeira vez em anos, ao analisar minha ex-idade, eu não senti nenhum grande arrependimento. A única coisa que senti intensamente foi gratidão.

Não, esse definitivamente não foi um ano fácil. Ele foi repleto de perdas e frustrações – tive desilusões amorosas, profissionais, familiares, em meu círculo de amizades... –, mas eu aprendi e cresci como há muito não fazia.
Parte dessa aprendizagem surgiu do autoconhecimento proporcionado por esses momentos adversos, mas grande parcela dela foi trazida por algo maior que eu. Em alguns momentos, quando pensei que não era mais capaz de seguir em frente, fui pega no colo por alguma força superior e fui consolada. Com a maior tranquilidade do mundo, essa força me ensinou novas maneiras de ver a vida e me deu significado para seguir em frente. Hoje, se eu caio, o tombo não machuca na mesma intensidade e sou amparada por mãos que vivem a me proteger. Chame essa força de Deus, energia cósmica, Krishna, Grande Mãe, Alá... eu prefiro não nomeá-la. Ela só é algo que me trouxe mais paz e que tem me feito imensamente bem

Essa mesma força me ensinou a confiar mais em mim, algo que o tempo havia me forçado a deixar para trás. Percebi que não devo fingir ser algo que não sou para conquistar alguma coisa. Eu sou mais emoção, não preciso fingir que sou razão; sou meiga, não preciso me fingir grossa para ser respeitada; eu me importo, não preciso aparentar que não para parecer mais forte. Essa encenação não trás os resultados esperados. Agindo assim, eu só posterguei um pouco mais a dor que viria a sentir ou mudei o final que poderia ter sido diferente.

Entretanto, o maior ensinamento de meus 23 anos foi que grandes expectativas geram grandes frustrações. E lágrimas, muitas delas. Mas elas também podem te ajudar a descobrir quem realmente está disposto a enfrentar o mundo ao seu lado, seja te dando apoio, um conselho ou um ombro amigo.

Agradeço, 23, por ter me tornado mais mulher e por ter tirado um pouco da minha inocência, mesmo que não tenha sido pelo caminho mais prazeroso. Desejo que aos 24 eu possa continuar aprendendo, mas de uma maneira mais... doce.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Dançando e Compondo

Gosto quando duas pessoas se encontram e, como numa dança, tentam seduzir um ao outro através de gestos inconscientes. São dentes que teimam em aparecer no meio da conversa em forma de sorriso, olhos que se encontram e revelam todo o desejo velado, mãos que se tornam obsessivas por arrumar o cabelo e que insistem em encontrar o antebraço do receptor enquanto ambos falam sobre coisas banais... detalhes pequenos e instintivos para estes dançarinos.

O momento em que o outro fala torna-se música. Enquanto escuta a letra, os olhos constroem a melodia, formada pelo movimento dos lábios, gestos das mãos e pela paixão como ele defende o tema discutido.
Perdida na canção que compõe, o pensamento se esvai da conversa e ocupa-se de novos propósitos. Aqueles lábios que até alguns minutos atrás cantavam os versos de uma canção, viram desejo. Aquelas mãos e braços que gesticulavam tornam-se parte de uma fantasia que transcende o seu ser. Logo, todo o corpo do outro parece ter sido criado para te conduzir. Tudo o que você deseja é ele te propondo o ritmo.

O mundo fora dessa conjuntura deixa de existir. Ele só volta a ser notado quando um terceiro estabanado perde o passo e pisa no seu pé. Você desperta de sua extravagância, mas não a esquece.

A noite segue e, entre uma bebida e outra, o superego vai sendo diluído. Os sinais que já eram evidentes tornam-se ainda mais claros e, de repente, você percebe que sua mão sobre a mesa não está mais sozinha –  agora há a companhia da dele. Os dedos se entrelaçam naturalmente e assim ficam, dedilhando-se, como se estivessem aprendendo a tocar um novo instrumento musical.
A mútua dança da sedução agora é acompanhada por arranjos de uma música produzida por vocês. Já não existe uma música sua e dele, a composição é de ambos. E com esse novo passatempo, as horas passam ainda mais rapidamente.

Então, é fim de noite e agora sua mão sente-se confortável fazendo aquela canção. Ao que parece, as notas produzidas por suas palmas fazem um belo acorde.
Sem que você perceba, aquele devaneio anterior toma conta de si.
Tomada pelo cego desejo de fazê-lo real, você aguarda o convite para uma próxima música, que surge em forma de beijo durante a despedida. Um beijo lento e calmo, mas com pitada de selvageria, que te faz ter a certeza de que é esse o parceiro com o qual você quer dançar e compor vários outros ritmos.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

"Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida."

- Martha Medeiros


Seja interessante! :D

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Finais não definidos

Ele me olhava enquanto me fazia cafuné.

- Você é linda.

Sorri. Não porque concordava, mas simplesmente porque não tinha o que responder.

- Você é linda, mesmo.
- É, um filósofo acabou de me dizer isso...

Me aconcheguei mais no seu colo, de forma que ele entendesse que o silêncio estava agradável.

- Você é muito apaixonável.
- Oi?
- É, apaixonável. É muito fácil as pessoas se apaixonarem por você.

Ele citou os motivos fofos e meigos pelos quais me considerava apaixonável. Quando acabou, sugeri que fossemos embora.

- Vamos fazer alguma coisa amanhã?
- Ah... pode ser.
- Eu te ligo umas seis, tudo bem?
- Não, Cá... eu te ligo, é melhor.

E eu não liguei. Não dei notícias, não atendi o celular ou respondi as mensagens. Estava claro para mim que estávamos em sintonias diferentes. Ele não era mais o cabeludo que eu conheci no meio da rua. Agora ele tinha nome, sobrenome, profissão e me enaltecia.
Enaltecimento que eu não estava pronta para corresponder.
Talvez ele tenha querido ser fofo, talvez ele tenha achado que eu gostaria de ouvir tais coisas... Não sei, não quis descobrir. Preferi a alternativa mais fácil: não vê-lo mais.

Agindo dessa forma, acabei me tornando aquela pessoa que nunca quis ser. Aquela pessoa que desencana e some. Sem notícias, sem esclarecimentos... nada. Simplesmente desapareci.
Embora tenha consciência do motivo pelo qual eu sumi, ele não sabe. Houve a inversão do papel que eu ocupava atualmente: o pequeno desencanou, sem explicação; agora, eu quem desencanava, e quem ficou sem explicação foi o cabeludo.

Confesso que quando me vi ocupando aquele espaço que não era meu, me senti mal. Logo eu, que tento ser tão sincera e jogar limpo com todos, não estava fazendo isso.
Em outro momento da minha vida, eu certamente me derreteria por tudo que ele me disse. Teria virado água, dado cambalhota e continuaria a vê-lo por valorizar o que ele havia me dito. Até tentaria me forçar a gostar dele. Pouco tempo depois, eu perceberia que não estava dando certo e começaria um "distanciamento progressivo", mas de maneira que pudesse contatá-lo no futuro caso estivesse com vontade de vê-lo (leia-se: carente).

Acontece que minha nova atitude me fez pensar. Eu fui sincera quando iludi ao outro porque gostava do que ele sentia por mim? Eu fui sincera quando desapareci sem dar notícias?
Em ambos os casos a resposta é negativa.
Se na primeira situação eu só pensei em mim e agi movida pela necessidade de afeto, na segunda eu novamente só pensei no meu bem estar e preferi não tentar entender o que aconteceu. Nos dois casos, alguém se magoou. Nos dois casos, alguém ficou sem explicação. E, nos dois casos, quem passou por tudo isso não foi eu.

Não é meu egocentrismo exacerbado que me incomoda. O que mexe comigo é o tamanho da minha hipocrisia em exigir sinceridade do outro quando eu não agi dessa maneira.
Como querer uma satisfação do pequeno pelo seu sumiço se eu não fiz isso para o cabeludo?
Embora eu tenha tido uma visão diferente da situação agindo assim, não é meu direito esperar uma resposta diferente do pequeno se me comportei igual a ele. Querendo ou não, é necessário que pensemos em nossas experiências de vida antes de fazer algo que pode prejudicar ao outro. Pena eu não ter descoberto isso antes de ter mordido o cabeludo e tê-lo mandado passear.

(Em tempo: algumas semanas depois, resolvi ligar para o cabeludo para me sentir melhor. Ele te atendeu? A mim, não.
É... acho que minha tentativa de reparação não deu muito certo...)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Troca de Pares

Certas mudanças em nossas vidas são como sapatos.

Quando compramos um par novo, precisamos de horas para amaciá-los. A quantidade de horas que ficamos com eles no início depende diretamente da segurança que nos é proporcionada - quanto mais tempo passamos estáveis em cima do salto, mais tempo ficamos com eles. Quando menos esperamos, aquele sapato novo já não é um estranho - ele foi moldado as nossas pisadas e ficou com o formado de nossos pés.


Acontece que o tempo passa e, conforme caminhamos, a sola fica gasta. Percebemos a necessidade de nos desfazermos daquele chanel de estimação e arriscar um peep toe... ou até mesmo uma sapatilha. Abrimos mão do conhecido por um modelo novo, mais arrojado e com a cor da estação. 
Só que essa mudança, muitas vezes, não é fácil. 
Como abrir mão daquilo que já tem o formato do seu corpo e que te acompanhou durante tantos momentos? Como perder aquela segurança que demoramos tanto tempo para adquirir?


Bem... em diversas situações não conseguimos lidar com a mudança eminente. Nós compramos novas sandálias, mas acumulamos no fundo do armário os antigos scarpins na esperança de que eles voltem a ser novos ou de que nossos pés voltem a se sentir confortáveis dentro deles. 
Até que, num belo dia, resolvemos revirar nossa bagunça e encontramos aquele par que a muito tempo está guardado... e resolvemos calçá-lo mais uma vez. No início, relembramos todas as sensações boas que já vivemos juntos... mas, noite adentro, ele começa a incomodar. Subitamente nos lembramos porque  deixamos de usá-los e nos questionamos porque não o jogamos fora naquela ocasião.
Todas as boas lembranças são substituídas pela bolha no pé que ganhamos no fim da noite, que nos lembrará por algum tempo de que, embora aquele sapato já tenha feito parte de nossas vidas, hoje ele não serve mais – o modelo continua sendo lindo, mas agora só machuca. E, nessa hora, nós agradecemos pelos pares novos e percebemos que fizemos um ótimo negócio arriscando novos caminhos com um salto mais baixo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Você senta em frente ao teclado.
Cabeça a mil, repleta de pensamentos desconexos, frases soltas e aquele aperto no peito que só será aliviado depois que tudo for colocado para fora.
Uma taça de vinho já se foi.
O pensamento frenético continua. Os dedos sobrevoam as teclas como se tivessem vida própria. Sabem as letras que buscam sem ao menos procurá-las. Aos poucos, as palavras vão sendo criadas e começam a fazer sentido... aquela vozinha que te importuna, lembrando de sua dor, começa a gritar, satisfeita com o caminho que está sendo percorrido e te estimulando a continuar.
Outra taça de vinho acabou e, agora, as lágrimas aparecem.
Já não existe um mundo a seu redor. O que existe é você e sua ferida que parece superexposta. Você e aquelas palavras que são seu fruto. É só você e você, como sempre.
Entre lágrimas, você relê o que escreveu e sente o coração leve. Embora a ferida ainda incomode, ela machuca menos, uma vez que você finalmente conseguiu expressar tudo aquilo que sente.
Com o fim da garrafa, vem a coragem para encaminhar sua obra ao destinatário final - aquele que causou a dor, aquele que coloca o dedo diariamente em sua chaga, muitas vezes, sem saber. Você tenta se acalmar, mas as lágrimas insistem em continuar caindo e lembrando de como você é fraca por não conseguir dizer tudo isso pessoalmente. De repente, toda a coragem recém-adquirida desaparece. A sobriedade toma conta de seu ser e a única coisa a qual você se permite é guardar mais esse capítulo de seu livro impublicável...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sinto-me presa àquela ilusão do “não ter sentido”. Mas, se não senti, porque tenho a impressão de que foi maravilhoso?

Não foi. Eu sei, você sabe, todos nós sabemos.

Se tivesse sido maravilhoso, não teria havido mentiras. Não teria havido lágrimas no final. E hoje, não haveria incomodo de nenhuma das partes. Seriamos apenas mais um casal que chegou ao fim e suas declarações seriam apenas mais uma demonstração de seu afeto, e não uma justificativa para convencer-me de um recomeço - um recomeço que, no nosso caso, sequer cogitei.

O nosso problema foi o excesso e a falta. Eu me sentia amada como há muito não sentia e não tive tempo para aprender a te amar.
Era confortável: era mimada fazendo o mínimo e você aceitava qualquer migalha como algo grande. Quando eu estava prestes a fugir, você me cobria de amor e eu ficava mais um dia, uma semana. Se eu decidia que não, você lutava pelo sim e se não o conseguia, aceitava que havia perdido. A vencedora era sempre eu... até eu descobrir que jogava sozinha contra uma dupla. E nessa circunstância, eu era a perdedora, já que você aceitava minhas provações para fazer-se feliz e defender a outra jogadora.

Todavia, foi encantador. Foi Caetaneamente encantador, com cores, nuances e uma pitada de escuridão. Pena que, no fim, o inverso se revelou: a realidade era a escuridão e as cores ocupavam somente os pequenos espaços.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Para evitar a dor, cheguei a conclusão de que deveria controlar tudo na minha vida.

Pensei que se tudo fosse estudado, planejado e planilhado, nada sairia do meu controle. Cheguei a esquecer que sou mais emoção do que razão e estava satisfeita vivendo dessa maneira, planejando até mesmo meus sentimentos.
Mas a vida, como sempre, fez questão de me mostrar que não adianta eu ter todos os planos certos e viver sem sentir verdadeiramente... e resolveu que deveria abalar todas as minhas estruturas colocando em meu caminho alguém mágico. Alguém com um sorriso capaz de iluminar qualquer ambiente, com uma energia maravilhosa, inteligente, lindo, com a voz que me gela a espinha e cabelos bagunçados que me fazem lembrar um leãozinho. 
Alguém que me faz querer sorrir só para que ele veja.

Confesso que desde que o conheci, a ambiguidade tomou conta de meu ser. Ao mesmo tempo em que anseio por conquistá-lo e me perder em seus braços, eu procuro afastá-lo. Se a coragem toma conta de mim e me estimula a fazer dar certo, o medo também se faz presente e não me deixa seguir, porque mesmo não querendo, ele me faz recordar as decepções pelas quais passei. Embora tenha sinais claros do caminho que devo percorrer, me aterroriza a ideia de perder a falsa estabilidade que consegui.
Tenho plena consciência de que meu sono e o sorriso só voltarão a ficar cheios quando me arriscar... mas me falta folego para parar de analisar, pular e me permitir sentir.
Enquanto isso não acontece, eu sonho, uma vez que em minhas felizes noites, eu já o tenho.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011


(L)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.

2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.

3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.

4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.

5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.

6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.

7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".

8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".

9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.

10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.

- Luís Fernando Veríssimo